O MacGuffin: maio 2009

domingo, maio 31, 2009

O Expresso fede

A notícia do Expresso sobre a aquisição e posterior venda de acções da SLN por parte de Cavaco Silva, é um nojo. Para além das «gordas» na capa, o jornal dedica duas páginas ao assunto, com fotos de Cavaco Silva em fade-out (como que a insinuar que a imagem límpida do homem começa, agora, a ficar opaca). Uma não-notícia que, no máximo, justificaria uma nota de rodapé, é amplificada de forma escabrosa e inusitada. E, claro, só pode ser coincidência ter sido publicada dois dias depois do Sr. Professor Vital Moreira (essa fortaleza de seriedade, boa fé e fair play) e o sidekick Capoulas Santos (outra personagem de grande sensibilidade e sólidas boas maneiras) terem zurzido contra a ligação do PSD à «roubalheira» do BPN e contra a «trupe» que se vislumbra no horizonte. Cavaco Silva – e a sua filha e o Zé Manel e centenas de outras pessoas – comprou acções da SLN numa altura em que não desempenhava nenhum cargo público. Vendeu-as passado um ano, realizando uma mais-valia registada na sua declaração de rendimentos, pagando os respectivos impostos.

Sob a capa do «escrutínio público de figuras públicas», o Expresso declara aberta uma nova caça às bruxas: quem tiver desempenhado «funções públicas» e tiver, algures no tempo, comprado acções da SLN antes ou depois do desempenho dessas mesmas funções, está sob suspeita e deve ser investigado. Por uma vez, faço minhas as palavras de Miguel Portas e Jerónimo de Sousa: ter sido accionista da SLN não é pecado e não há no negócio qualquer dose de ilegalidade ou de comprometimento no plano da corrupção.


sábado, maio 30, 2009

Não esquecer: fortes e vigorosas


sexta-feira, maio 29, 2009

Tipicidades de um regime

Vasco Pulido Valente in Público (29/05/2009)

Uma carreira

O dr. Dias Loureiro é, suponho, de Coimbra ou dali perto. Pelo menos, tirou o curso de Direito em Coimbra e foi, depois do "25 de Abril", governador civil de Coimbra. Com Cavaco, veio para Lisboa e para secretário-geral do partido: no PSD, uma posição pouco exaltada. A seguir, lá conseguiu ser duas vezes ministro (Assuntos Parlamentares, primeiro, e, a seguir, Administração Interna). Dali em diante, andou por aquela zona indefinida onde os "notáveis" costumam circular. Presidente do Congresso (se me lembro bem), conselheiro de Santana (quando Santana formou Governo) e amigo íntimo de Cavaco, durante o longo, e voluntário, exílio do chefe. E, em 2006, reapareceu como conselheiro de Estado, por designação pessoal do Presidente: uma recompensa merecida.

Como político, Dias Loureiro não fez mais do que uma carreira vulgar. Um pouco acima da média, mas vulgar. Não deixou para trás nada de notável: uma ideia, uma reforma, uma simples medida. Parece que a sua grande glória é a de ter "enfrentado" o "buzinão" de 1994 - um pequeno episódio. Trabalhou evidentemente com eficiência e fidelidade, como centenas de outros no PSD e no PS. E, como centenas de outros, chegou aos quarenta ou cinquenta anos sem um futuro claro. Resolveu então fazer negócios. Segundo dizem - e corria na altura -, ganhou uma quantidade razoável de dinheiro: o que, em si, só o recomenda, sobretudo se, como ele garante, e não há razão para duvidar, o ganhou legalmente. De qualquer maneira, não deixou de ser um advogado da província, agora rico, promovido pelo PSD.

Isto, com a sua vida pregressa, provavelmente não lhe chegava. O lugar no Conselho de Estado, na prática sem valor, tinha a vantagem de lhe dar uma importância oficial. Quando começou o escândalo do BPN, Dias Loureiro compreendeu com certeza que se devia demitir para não embaraçar e comprometer Cavaco. A inocência dele não era a questão, a questão era não envolver Belém numa história sórdida. Mas, se por acaso se demitisse, confirmava o pior que se dizia dele e perdia o estatuto, para ele honroso, que tanto tempo, tanto esforço e, se calhar, tanta paciência lhe custara. Não quis voltar ao anonimato, escorraçado e, fatalmente, diminuído. Preferiu resistir e resistiu mal. Anteontem, acabou por reconhecer a evidência. A carreira dele, uma patética carreira de funcionário político habilidoso e vácuo, não é exemplar. Excepto no sentido em que é uma carreira típica do regime.

terça-feira, maio 26, 2009

Enfim, calor

segunda-feira, maio 25, 2009

Uma questão de vida e de morte

No dia 14 de Outubro de 1996 remeti uma carta para o semanário O Independente, dirigida a João Bénard da Costa. Lembro-me de ter levado mais de uma semana a escrevê-la. O resultado final não foi bom. Foi mau. Para terem uma ideia, começava assim: “Escrevo-lhe esta carta perante a inevitabilidade de querer saber mais sobre esta paixão que me acompanha desde pequeno, a que deram o nome de cinema.” Uma coisa verdadeiramente medonha. Mas era de esperar. Escrever uma carta ao João Bénard da Costa só poderia dar naquilo: um monte de baboseiras próprias de um imberbe que, nervosamente, se dirigia ao seu mestre. Porque foi isso que, à distância, aquele homem representou para um provinciano como eu: um verdadeiro sage.

Cresci para o cinema numa altura em que a Cinemateca era um lugar longínquo, quase mítico. O melhor cinema, dada a distância, passava na televisão, sobretudo na RTP2, ou era sinónimo de contrabando: havia sempre quem arranjasse forma de apanhar uma gravação mais ou menos manhosa em VHS de um Ray, de um Preminger ou de um Capra, regra geral porque tinha um amigo em Lisboa que se «movimentava» no milieu. A cassete era, depois, reproduzida em condições mínimas por três ou quatro lares, e em condições de quase invisibilidade total pelos restantes. A aprendizagem fazia-se ao acaso. Ford e Hitchcock eram a referência. Não havia «orientação» ou «cartilha». Aliás, nem interessava que houvesse. Era a idade da petulância acneica, de quem depois de ver dois ou três Langs de seguida se achava prontinho para dar lições de mise-en-scène.

Um dia, comecei a ler o João Bénard da Costa. Não lembro exactamente o quê, nem quando. Mas sei que o «encontro» foi tal como o descrito por Thelma Ritter (que ele adorava) ao Jimmy Stewart, no Rear Window: "Together – wham! – like a coupla of taxis on Broadway". Um estrondo que me ligou para sempre ao João Bénard da Costa. Daí em diante, passei a vasculhar tudo o que ele escrevia, as entrevistas que dava, as notícias sobre ele e a sua Cinemateca.

Com o João Bénard da Costa, qualquer pessoa aprendia qualquer coisa sobre cinema, por muito pouco que se esforçasse. Esforçado ou não, com ele aprendi muito. Aprendi tudo. Era fácil: uma mera passagem pelas suas crónicas, artigos ou recensões bastava para nos darmos conta de que estávamos na presença de um homem verdadeiramente apaixonado, com o dom raro de arrastar os outros nas suas viagens pelo interior dos filmes com o intuíto de angariar cumplices mesmo que o tom fosse o de uma conversa com o próprio. E nós deixávamo-nos arrastar, seguros de que estávamos a ser guiados por um erudito generoso. Não estarei a exagerar se disser que a minha personalidade cinéfila foi formatada à imagem do que ele indicava, apontava, dizia, aconselhava ou desaconselhava. No início, achava piada ao facto de pensar que o que ele escrevia sobre determinado filme, tinha sido o mesmo que eu tinha pensado ou vivido. No caso dos Hitchcock, que eu tinha descoberto bem antes de o começar a ler, as coincidências só «agravaram» a dependência. Mas cedo percebi que já tudo se encontrava baralhado: era já eu que via os filmes à «maneira» do João Bénard da Costa (da mesma forma que era à maneira do Vasco Pulido Valente que escrevia ou lia sobre política e história, ou à maneira do Miguel Esteves Cardoso que lia ou escrevia sobre os portugueses, música, etc. etc.). Fazia, aliás, questão.

Para quem nasceu e viveu toda a vida na província, longe dos happenings cinematográficos, os textos do João Bénard da Costa foram uma imensa janela para um admirável mundo. E, no meu caso, um admirável mundo «velho». Devo-lhe a ele, e só a ele, o facto de ter tido o privilégio de perder (neste caso ganhar) horas e horas a ver Premingers, Langs, Fords, Rays, Capras, Powells, Welles, Renoirs, Dreyers, Hitchcocks etc. etc., exercício que terá constituído aquilo que eu gosto de chamar de «educação clássica», por contraponto às deambulações e devaneios que os meus amigos encetavam por entre a modernidade dos «efeitos especiais» ou a pós-modernidade dos temas «fracturantes» - provavelmente, a única vantagem que tenho sobre as gerações que se seguiram à minha, regra geral perfeitamente analfabetas relativamente a tudo o que foi feito antes dos anos 70.

Lembro-me de uma entrevista que ele deu à Maria João Seixas, salvo erro na RTP2, em que à mínima referência aos filmes da sua vida (que eram centenas, como ele dizia) o sorriso do João Bénard da Costa abria-se de uma forma absolutamente contagiante, como se lhe tivessem acabado de dar o supremo prazer de falar sobre os grandes amores da sua vida. Os olhos brilhavam como raramente se conseguia, e consegue, ver em televisão. Era, ao mesmo tempo, um sorriso comovente de tão inocente. Era como se, à mínima menção ao Johnny Guitar, o seu sangue começasse a fervilhar, embora sempre sob uma capa de absoluto gentlemanship, que ele nunca por nunca perdeu.

No dia 14 de Outubro de 1996 escrevi-lhe, então, uma carta. Há anos que era assombrado por um filme do qual não sabia nem o título, nem o realizador, nem o nome dos actores, mas do qual jamais me tinha esquecido. Não me lembrava em que condições o tinha visto, mas sei que tinha sido há muitos anos atrás. Por circunstâncias que nunca soube explicar, e apesar de ter feito um esforço nesse sentido, nunca encontrei referências ao filme nos jornais ou revistas que tinham a programação do dia ou da semana. Com o passar dos anos, cheguei mesmo a pensar que tinha sido fruto da minha imaginação. Lembrava-me vagamente da história (ou de parte da história). Um piloto que, durante a 2.ª Guerra Mundial, tinha inexplicavelmente sobrevivido a um acidente aéreo quando era suposto, segundo registo ou cadastro celestial, ter morrido. As cenas passadas no céu, naquilo que parecia ser um lugar asséptico, meticulosamente organizado, cheio de funcionários que recebiam as almas e controlavam as baixas já programadas por decreto emanadas do mais que tudo, eram filmadas a preto e branco. Na Terra, o filme decorria em Technicolor. Lá em cima, reclamavam o aviador, alegando tratar-se de um engano. Mandaram um mensageiro à Terra, para que este tratasse do assunto. Um Conducter. Só que tinha surgido um problema: o jovem aviador tinha-se, entretanto, apaixonado. Falando com o mensageiro, o aviador recusava-se a morrer. Lembrava-me que, a certa altura, no filme, surgia um tribunal celestial onde se julgaria a sua sorte. Um tribunal com advogado de defesa, de acusação, jurados, testemunhas. Os figurantes desse tribunal eram, na verdade, personagens que, na Terra, rodeavam a vida do aviador. A defesa alegava que o réu não deveria morrer porque estava apaixonado. A acusação alegava que não podia haver excepções, que o que estava escrito era para cumprir e que essa coisa do «apaixonado» não passava de um devaneio fugaz, com resultado nulo ou duvidoso, próprio de quem queria resgatar a doce americana da sua felicidade back home. O problema era o da prova. Neste caso do amor. E a prova surgia sob a forma de uma lágrima.

Passada uma semana, recebi uma carta com o timbre da Cinemateca com um irrepreensível cartão do seu director, avisando-me de que o objecto da minha carta seria tema da próxima crónica n' O Independente. O filme, como foi explicado de forma perfeita na crónica, chamava-se A Matter of Life and Death (1946) e tinha sido realizado por essa imbatível dupla Michael Powell/Emeric Pressburger. É um dos filmes da minha vida, que passei a rever todos os anos.

A semana passada, imaginei-o a subir aquela escada com o seu Conducter. Hoje, sei que nunca, como agora, se passaram tão bons filmes lá em cima. E que o céu ficou bem mais rico. An old acquainted has returned.

sábado, maio 23, 2009

In my house too

sexta-feira, maio 22, 2009

So far around the bend



Sing along:

I know you're a serious lady
Living off a teacup full of cherries
Nobody knows where you are livin
Nobody knows where you are

Take a bath and get high through an apple
Wanted to cry but you cant when you're laughin
Nobody knows where you are livin
Nobody knows where you are

You're so far around the bend
You're so far around the bend

Ill run through a thousand parties
Ive run through a million bars
Nobody knows where you are livin
Nobody knows where you are

You've been humming in a daze forever
Praying for Pavement to get back together
Nobody knows where you are living
Nobody knows where you are

You're so far around the bend
You're so far around the bend

Now there's no leaving New York
Now there's no leaving New York

You're so far around the bend
You're so far around the bend

Now there's no leaving New York
Now there's no leaving New York
Now there's no leaving New York
Now there's no leaving New York

quinta-feira, maio 21, 2009

João Bénard da Costa (1935-2009)

A morte de um grande Senhor.

quarta-feira, maio 20, 2009

E por falar em cretinice

No anterior post, aliviei-me de uma inquietação (também no sentido atribuído por Lídia Jorge e JP Simões ao termo «inquietação») a propósito dos «novos» automóveis (que em breve alinharão com o «novo homem»). Mas há mais.

Há dias, farto de o pensar fazer e de não o fazer (sou português), ocorreu-me adquirir este automóvel:



Trata-se de um Porsche 911 do ano em que eu nasci (por razões óbvias, não revelo a idade). É possível arranjar um sapinho destes na Alemanha por cerca de 25.000 euros. Simpático (dentro da extravagância). É claro que, no minuto seguinte, o Dr. Texeira dos Santos e o sidekick Dr. Azevedo Pereira estão aí para estragar a festa. Em bom rigor, a culpa não é totalmente deles, já que herdaram a política tributária automóvel dos últimos vinte cinco anos. Mas, também em bom rigor, nada fizeram para a alterar. Pior: trataram de a agravar em matéria de importação (deve ser já a colecção 2009-2010 de proteccionismos prêt-à-porter). Resumidamente, é tão simples como um soco no estômago: no dia em que aquela viatura cruzar a fronteira portuguesa, terei que entregar ao Estado, na forma de Imposto Sobre Veículos (ISV), a módica quantia de… 12.231,90 euros. O carro é velho (tem a minha idade, não se esqueçam) mas, azar dos azares, tem 2.000 cm3 de cilindrada e tem um índice de emissão de CO2 anacrónico: pelo menos 250 g/km. O valor sobe para 18.481,90 euros caso a emissão de CO2 atinja a fasquia dos 300 g/km. As preocupações ambientais acompanhavam a época: naquele ano de fabrico, o único factor de agressão da camada do ozono digno de registo, relacionava-se com a queima generalizada de cannabis e a emissão, localizada na Europa de Leste, de uma vigorosa e diversificada gama de gases durante a aceleração de um qualquer Trabant (vinte segundos dos 0 aos 90).

Sem problemas de maior, o Herr Schmidt, que faz exactamente o mesmo que eu faço e ganha certamente o dobro do que eu ganho, faz o gosto ao dedo, ou, neste caso, ao pé, adquirindo um 911 do ano em que eu nasci (como pessoa sensível e interessada, informar-se-à desse marco temporal, via embaixada portuguesa). A minha querida pessoa, nascida em Portugal, não só ganha certamente metade do rendimento da sua homóloga alemã, como é penalizada, via impostos, em pelo menos o equivalente a 50% do valor de aquisição do bem (ou, shall I say, do «luxo»?).

É claro que estas excrescências temáticas fazem as delícias dos justiceiros fiscais do Bloco de Esquerda ou do Partido Comunista, para quem este consumismo alarve, fantasioso, ofensivo perante os crescentes índices de pobreza, deve ser severamente punido - em nome, claro está, dos desfavorecidos e das minorias étnicas, sexuais e religiosas. Resta-me o consolo de, um dias destes, me cruzar com o Sr. Ministro e com os bem pensantes, ao volante dos seus Insights e dos seus Prius. O que eu irei rir, ao volante... do quê?!


terça-feira, maio 19, 2009

Estou zangado, estou

A propósito disto, já destacado no excelente blogue desta inestimável pessoa, há uma questão que não vejo ninguém abordar e que, para além de me incomodar, começa a inquietar-me, há medida que os anos vão passando e os «laboratórios» da industria automóvel os vão cuspindo cá para fora: até à data, não houve um automovelzinho eco-friendly que não fosse esteticamente um aborto. A colecção de camafeus, de que dou conta mais abaixo, não pára de me surpreender. Já pensei que fosse mera constatação: quem se interessa pelo ambiente e pela camada do ozono está-se nas tintas para as «linhas». Já pensei que fosse opção doutrinária ou estratégia: conduzir as pessoas a pensar mais na substância (zero ou reduzidas emissões de CO2) e menos no acessório (a estética do animal). Isto partindo do princípio de que o ser humano médio – isto é, normal - olha para uma bosta com rodas e pensa «vou montar-me num carro que me vai envergonhar, deprimir e obrigar a forrar uma parede do quarto com o poster de um 300 SL Roadster de 1957 para enfrentar o dia sem náuseas ou tonturas, mas sei que estou a ajudar o meu planeta e, com isso, a contribuir para que a qualidade do ar me permita morrer aos 84 anos com a boca ligeiramente inclinada para o lado esquerdo e não aos 83 de incontinência por via de infecção renal aguda». A verdade é que chego sempre à conclusão de que nada deve, ou pode, justificar o que se está a passar. E o que se está a passar é trágico. Já não bastava o facto de, nos modelos ditos «tradicionais» (para não lhes chamar ambientalmente «inconscientes»), a gasolina ou, horror dos horrores, a gasóleo, ser cada vez menor o índice de carros sofríveis do ponto de vista estético (já só nos resta apostar nos sofríveis, por oposição às restantes monstruosidades - salvo, obviamente, honrosas e heróicas excepções). Não. A confirmar-se a tendência, espera-nos um mundo cretino, pacóvio, tacanho e feio, forjado na sombra asséptica dos «centros de dados para a pesquisa e desenvolvimento de tecnologias amigas do ambiente», por uma galeria de nerds e especialistas, para quem o belo, a graciosidade e o sublime não passam de vocábulos vazios ou conceitos descartáveis ante o fim último que os move: a «saúde» do povo e o «bom ambiente» do planeta. Até à imortalidade final.




segunda-feira, maio 18, 2009

Só não digo nomes

Havia uma piada bolchevique que dizia que o Soviete Supremo tinha decidido entregar, a título póstumo, a Ordem da Insígnia Vermelha a Nicolau II pelos seus serviços a favor da causa revolucionária. No dia em que o PSD – coligado ou não coligado, com ou sem a Dra. Ferreira Leite – substituir no governo o PS (reparam como dou de mão beijada aos Danieis Oliveiras deste país a possibilidade de aproveitarem o termo «substituir» para discorrer sobre a natureza «alternante» do «bloco central» de interesses), os responsáveis do PSD podiam fazer o mesmo em relação a alguns ministros do presente governo.

domingo, maio 17, 2009

Mal que pergunte:

o Sr. Nascimento Rodrigues ainda não foi substituído, pois não?

sábado, maio 16, 2009

Duas faces da mesma moeda



É isso aí, cara

Sr. V

What's next?

A gripe A (ex-gripe suína, ex-gripe mexicana) vai, aos poucos, desaparecendo. Meus senhores: vão pensando noutra «pandemia» qualquer. A malta já não passa sem a perspectiva de um Armagedom(*). Até parece mal esta falta de ansiedade, esta nebulosa modorra, esta falta de assunto apocalíptico.

PS: incluindo o desvirtuar do seu significado bíblico.

R.I.P.

Sem querer perturbar as sérias e profundas elucubrações sobre o destino político do poeta Alegre, devo dizer que o desfecho não era previsível: era óbvio. Quem ainda pensou o contrário – novo partido, desvinculação do e oposição ao PS – ou estava distraído ou não percebe patavina do que é a política à portuguesa e do que são «necessidades». Entendamo-nos: Manuel Alegre, dentro do PS, vale o que vale (pouco). Sem o PS, não vale nada. As deambulações alegristas por entre fóruns e tertúlias da esquerda órfã, não passaram de fait divers para consumo de algumas consciências (incluindo a do próprio). E o próprio Alegre não terá nunca perdido de vista o facto do MIC ser pouco mais do que um movimento pífio de «simpatizantes» com direito a site, cujo único acto visível em 2009 foi o de patrocinar umas petições online. Quanto a Sócrates, fez o que tinha a fazer para quem não se pode dar ao luxo de perder alguns votos da ala «esquerdista» (militante ou não): calou-o, provavelmente prometendo-lhe apoio (pecuniário, material e político) numa hipotética corrida a Belém. O resultado foi, repito, o que mais convinha a Sócrates. O poeta rebelde sossegou, o político Manuel Alegre morreu. Há uma certa esquerda que jamais lhe perdoará.

Done that

quarta-feira, maio 13, 2009

O Dr. Mário Soares diz que é uma espécie de «viragem psicológica profunda»

Notícia Público:

A administração Obama deverá anunciar esta semana o regresso dos tribunais militares de excepção para julgar alguns presos de Guantánamo, introduzindo algumas melhorias nos direitos de defesa dos arguidos, noticia a AFP.


Os cinco acusados pelos atentados de 11 de Setembro de 2001, entre os quais Khalid Cheikh Mohammed, o autoproclamado planeador dos ataques, estão entre os casos que deverão ser julgados de acordo com as alterações nas regras destes tribunais que a Casa Branca vai pedir ao Congresso.

A impossibilidade de usar confissões obtidas sob tortura, a limitação do recurso a testemunhos não confirmados e a possibilidade de os réus poderem escolher o seu próprio advogado são as mudanças que deverão ser introduzidas no funcionamento destes tribunais, segundo disseram sob anonimato várias fontes governamentais contactadas pela AFP.

O Presidente Obama vai “pedir ao Congresso para modificar as regras” e deverá anunciá-lo “esta semana”, disseram as mesmas fontes.

Os tribunais especiais para julgar os detidos de Guantánamo são extremamente polémicos. Jon Jackson, o advogado militar de um dos acusados do 11 de Setembro, disse que a conservação destes tribunais, mesmo com novas regras, é uma escolha errada.

“É fácil para o Presidente manter as comissões militares, que já estão instaladas. O difícil é julgar estes homens num tribunal regular, seja um tribunal militar ou um tribunal federal”, afirmou Jackson à mesma agência.

As confissões de vários detidos de Guantánamo foram obtidas sob tortura, como aconteceu com Khalid Cheikh Mohammed, que foi submetido a 183 simulações de afogamento.

Para a Amnistia Internacional, a recuperação dos tribunais especiais “afectaria a imagem dos Estados Unidos e a ideia de que a administração Obama quer virar a página em relação às práticas do passado”, disse Tom Parker, daquela organização.

terça-feira, maio 12, 2009

Sobre as eleições europeias

Esperem um pouco: a Fernanda Câncio terá ainda uma palavra a dizer

Notícia Público:

O presidente do Eurojust, Lopes da Mota¸ poderá vir a ser alvo de um processo disciplinar no seguimento do inquérito às alegadas pressões sobre dois procuradores do caso Freeport, Vítor Magalhães e Pães Faria.

Segundo as edições de hoje do “Diário de Notícias” e do “Correio da Manhã” esta é uma das conclusões do relatório que foi ontem entregue ao Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, e que esta manhã, a partir das 10h30, vai ser apreciado pelo Conselho Superior do Ministério Público (CSMP).

A proposta de instaurar um processo disciplinar por violação do dever de isenção contra o representante nacional no Eurojust será uma das propostas elencadas pelo instrutor do inquérito, Vítor Santos Silva.

Recorde-se que este caso surgiu quando Magalhães e Paes Faria alegaram que teriam sido vítimas de eventuais pressões durante uma conversa mantida com Lopes da Mota. Este responsável terá sublinhado aos dois magistrados a situação delicada do caso Freeport, comparando-o mesmo com o processo Casa Pia.

E o caso ganhou novas proporções quando o ministro da Justiça, Alberto Costa, foi acusado de ter estado por trás dos recados de Lopes da Mota aos dois procuradores. Costa foi ouvido no Parlamento e negou esta acusação, embora tenha confirmado um encontro com Lopes da Mota na semana em que este terá conversado com os dois procuradores do Freeport.

De acordo com o “Correio da Manhã”, Lopes das Mota contou a Vítor Santos Silva o teor das conversas com os magistrados e terá ilibado Alberto Costa de qualquer responsabilidade neste processo.

segunda-feira, maio 11, 2009

Folia pop, vadia, mestiça e o que mais para aí se arranjar

O disco português do ano (até à data) é despretensioso, fatela, bairrista (na medida em que Portugal é um bairro), nascido nas tascas mais castiças, apadrinhado por crooners em vias extinção, boxeurs decadentes e toda uma plêiade de improváveis personagens de palito ao canto da boca. É um disco que brinca e goza e ri e chora e bebe tudo por todo o lado (dos Les Négresse Vertes aos Mler If Dada, passando pelos Band of Holy Joy, pela chanson, pela música cigana, pelo ska, pelo fado, pelo funaná e acabando em... Nel Monteiro?). Um disco que recusa catalogações na medida em que se está nas tintas para os críticos (e os críticos vão adorar bater-lhe, certamente). A música séria, grave, «intelectual» - essa segue dentro de momentos. Até lá, apresento-vos "Tasca Beat: Sonho Português", o álbum de estreia dos OqueStrada. Com uma ginjinha, se faz favor.





Se os ‘Malucos do Riso’ sabem disto

Piada express (ocorrida hoje):

- Compadri, atão o que está fazendo?
- Olhe, compadri, vim tomar o cafei e comprar o jornal “i”.

quinta-feira, maio 07, 2009

E está na hora dos bancos aumentarem os spreads

O Banco Central Europeu decidiu hoje baixar a sua taxa de juro de refinanciamento de 1,25 para um por cento, numa nova tentativa de reanimar a actividade económica na Zona Euro.

terça-feira, maio 05, 2009

Manuel Pinho will always be Manuel Pinho

No Público:

O ministro da Economia, Manuel Pinho, disse hoje que o deputado e cabeça-de-lista do PSD às eleições europeias, Paulo Rangel, "tem de comer muita papa Maizena para chegar aos calcanhares de Basílio Horta", a propósito da polémica sobre o programa Vasco da Gama.
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