O MacGuffin

terça-feira, maio 25, 2004

PORTUGAL POSITIVO: PEQUENA NOTA
O Bruno, que também aprecia o Vasco Pulido Valente, pergunta: “se o objectivo era aumentar a auto-estima, porque é que foram convidar o homem? É que VPV diz o que tem a dizer, e o que tem a dizer não contribui lá grande coisa para aumentos de auto-estima.”

Esta ideia do Portugal Positivo não dá azo a grandes deambulações. Para além de ingénua e inconsequente, não deixa de ser um tanto ou quanto pateta. Também não é novidade nenhuma: vem de longe esta tentativa de injectar no povão a dose de optimismo e de auto-estima de que, supostamente, está necessitado para “vencer os desafios” e “colocar Portugal no mundo”. E sintomático é o facto destes propósitos surgirem associados a momentos de crise ou instabilidade latente.

Como referiu VPV, não é de auto-estima que Portugal precisa. Nós não somos bons por acreditamos ou dizermos que o somos. A auto-estima advém de uma série de circunstâncias, não (re)nasce da boca de meia-dúzia de nacional-porreiristas, por muito boas e louváveis que sejam as suas intenções. Advém do bem estar material, da boa educação, do trabalho e da realização individual. Do que nós precisamos é de maior capacidade de trabalho e organização. A auto-estima virá por acréscimo. Como consequência.

Precisamos, também, de nos preocupar menos com o acessório e mais com o essencial. Precisamos de menos soberba e menos mediocridade. Precisamos de viajar e ver o mundo. E aprender com isso. Precisamos disso tudo. Mas não é a apregoá-lo que vamos ganhar o que quer que seja. Antropologicamente, a postura crónica e por vezes repugnante do optimista de serviço, nunca foi causa de desenvolvimento social e económico.

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